terça-feira, 29 de maio de 2018

Não Sei

Se acaso ou criação
eu não sei
se mágica ou explosão
eu também não sei
não consigo me lembrar
só posso ter fé e verificar
Ciência é magia
ou é mágica a ciência
o importante é não deixar,
nunca, de procurar resposta
de criar sentidos pra vida
Se digo que não sei,
não é para matar a esperança
muito menos pra diminuir
o que já aprendi até agora,
é porque ainda existem lacunas
talvez cânions, ou oceanos
para explorar e conhecer
num momento de tantas verdades
de tantas certezas absolutas
só tenho a dizer que não sei
mas vou voltar a procurar saber

Isso não significa que vou matar a história
implica apenas em afirma-la como guia
não como tabernáculo da verdade ou bíblia.
Mesmo porque a história se faz todo o dia.
Algumas vezes como tragedia outras como farsa,
mas isso é certo, nós fazemos nossa história!
São nossas escolhas em combate com nossos limites,
mas no limite ela é fruto das nossas escolhas!
Seja ela escrita a muitas mãos ou só pelos vencedores
Ela também nos pertence; é de nossa lavra. 
Somos responsáveis pelo que ajudamos e pelo que permitimos!
Omissão é também uma forma de ação conivente!
Aos éticos atordoados lembro: faça o que quiseres
pois é tudo da lei vem acompanhado de outra sentença
Três vezes o bem, três vezes o mal
o que lançamos ao universo volta a fonte
e volta com força triplicada pela viagem.

  

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Paraíso Perdido

Paraíso perdido, anjos caídos
O céu está ardendo em chamas!
Você, desesperado, pede socorro,
Mas ninguém escuta a tua súplica!

Os demônios estão todos à solta 
Você grita, você chora  e é à toa 
Nada disso vai adiantar agora!
A horda foi liberada sobre a terra!

Psicopatas estão todos no comando
cada um só tem olhos pra própria merda
Então foda-se a empatia com o outro!

Salve-se que puder, nessa terra de cego,
cada caolho que administre a sua perda,
que cuide do seu olho e do seu antolho!


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Fúria

Um dia a fúria apareceu em minha porta! Fez morada na casa de minha alma, e de lá não quis mais sair. Ainda lembro dos dias amenos de primavera, uma lembrança longínqua, em meio a borrasca que se alojou sobre mim. Nunca fui santo, confesso que tenho os meus pecados, mas não entendo e nem perdoo a sua falta de respeito pelos mais necessitados.
Desde o grande golpe na nossa democracia combalida, seus ataques a decência e aos direitos despertam a revolta e a fúria ingovernável em meu estômago! No Caldeirão, dos meus piores sentimentos, borbulha uma raiva cruenta, pronta a explodir em violência! Despertas o pior em mim! Quase esqueço meus esforços civilizatórios em busca de paz e harmonia! Quase me bandeio pro lado da lei de talião, do olho por olho dente por dente!
Mas, de repente, me lembro que desejo ser diferente, peço perdão e sigo enfrente. Contudo recomendo a prudência, o tigre que habita em mim pode ter sido domado, mas ainda é em essência um animal selvagem!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Desencanto

Não foi bem assim, mas imagine acordar um dia e perceber que o mundo perdeu todo o encanto. Imaginou? Que triste esse mundo não é mesmo? Um mundo sem nenhuma graça: inodoro, incolor, insípido, indolor, inaudível, inabitável ... enfim insuportável! Um mundo cruel e sem mascaras! Como seria acordar num mundo onde os últimos bastiões do encantamento, a fé e a esperança, tenham sido derrubados? Você pode me dizer como seria?
Bem, como eu disse, não foi bem assim que o mundo caiu das nuvens! Não foi de repente que as luzes se apagaram! Foi um lento e gradual processo de desencantamento do mundo! Onde a utopia deu lugar ao cinismo e o coração virou pedra.
Ao poucos a percepção de que as pessoas estão a cada dia que passa mais egocentradas, pensando apenas no eu e no meu! A falta de empatia com as minorias e com as pessoas mais pobres; a crescente intolerância ao diferente, a completa falta de pejo diante da desigualdade, do cinismo e da canalhice e cretinice. Tudo isso doí no peito e na alma! Bateu tão pesado quando percebi que a maioria que se silencia diante da falta de humanidade, se silencia porque está ficado cada vez mais desumana.
Aos poucos a coisificação do mundo  e das pessoas que nos cercam, essa reificação de tudo que é fugidio, livre, impermanente e mutável, torna o mundo uma coisa triste e inevitável.
Se tudo é rígido, sólido e perene a história termina e as coisas são como são e pronto. Sem chance para os sujeitos, somos todos objetos nas mãos do destino inexorável das coisas.
Que saudade do Quintana que dizia em Das Utopias: 
"Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"  
In: Mario Quintana , Espelho Mágico. Porto Alegre: Editora Globo.1951.
Que saudade do Drummond de Procurar o Que: 
"Eu tropeço no possível, e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível"
In: Carlos Drummond de Andrade, Boitempo I.
Que saudade do mundo que ansiava pela descoberta, pela inovação, que se indignava contra as injustiças do mundo, que ia para as ruas quebrar os portões do instituído pra fazer um instituinte mais belo e feroz!
Nesses tempos em que os debaixo não tem vez e nem sonho, ou melhor só sonham em ter o mesmo que os de cima, serem os de cima; me assusta não o pragmatismo, mas o cinismo e a cretinice!
Tudo bem sonhar em ter algo melhor, mas as custas do sofrimento dos demais! Isso é um demais pra minha sensibilidade roqueir@! Um mundo onde o privilegio é o direito e o direito é o privilegio, uma inversão absurda que não ofende mais ninguém! Ou será que ofende? Já não sei e até duvido!
O que eu sei é que o desencantamento do mundo e o fim das utopias feriram de morte meu senso ético e estético. É tudo muito feio e patético: Trump, Temer,  Bolsonaro, Jean-Marie Le Pen, Béla Kovács ... essa turma, hoje, me assusta!
Adoraria estar enganado, mas duvido muito que nos próximos cinquenta anos, o cenário se modifique! 
Como estou quase lá  nos cinquenta, isso significa que terei que viver mais de cem anos para ver a nova primavera florir, que longo e tenebroso inverno! 





segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Dias mais Escuros

Tem dias que são mais escuros
Onde a dor bate mais forte
Tem dias sem muita sorte
Onde tudo dá errado!

Você pede perdão e trégua,
Mas a tempestade não para!
Só resta resistir ao castigo
Tudo o que sobra é procurar abrigo

Todos apontam os dedos,
Mas ninguém estende às mãos
Todos enxergam teus defeitos
Ninguém vê a tua solidão.

A multidão segue como gado
Aquele que não segue é estranhado,
Estrangeiro em seu próprio tempo,
Em seu lugar um forasteiro!

Criminoso por ser diferente
Estranho no mar das gentes
Ninguém estranha o familiar
Mesmo que seja noite em céu solar

Quem é o cego? Aquele que vê?
Quem o crente? O que não crê?
Tão estranho esse habitual
Parece um antigo e triste ritual
Onde os fracos são ceifados
E os fortes são isolados!
Onde a regra é o antolho
Pra sempre continuar o fluxo

Tenho cicatrizes de atropelamento
Tenho uma amargura que não cura
A  boca azeda nestes dias mais escuros
Os ossos doem onde foi quebrado

Mesmo que ninguém mais veja
Ainda ando contra a corrente
E mesmo que ninguém me ouça
Grito sinais de alerta e lanço sementes
... sementes de rebelião ao vento
Na esperança de que brotem no deserto
Dessas mentes vazias e cobiçosas,
No vazio preenchido por egocentrismo

Ninguém vê a saída
E seguem como manada
Vara de porcos possuídos
Rumando ao precipício

Quem em sã consciência
Rumaria sorrindo a perdição!
Nesses dias perco a paciência
E me jogo contra a multidão!
Tiro, porrada e bomba!
Socos e pernadas em profusão!
tudo inútil, tentativa desesperada,
de chamar a atenção
Ninguém me ouve
ninguém me vê

domingo, 31 de dezembro de 2017

Novos Horizontes




Novas Paisagens, novos encontros!
Reencontro paisagens e pessoas,
uma nova visita , um outro jeito!
Campos antigos flores inéditas!
Explorar o mundo com olhos ansiosos
de uma criança plena de experiências!




Novas luzes e novos cheiros!
Novos sabores e novos tatos!
Novas cicatrizes e tattoos,
num fantástico mais do mesmo
de novo e de novo, novo!
Novos acordes o mesmo show!




O ano é novo, as expectativas as mesmas!
Será que as atitudes vão mudar agora?
Luzes, musica alta, suor e cerveja!
Vestir a cor do desejo, pular sete ondas!
Dez segundos na contagem regressiva
pra tudo mudar num passe de mágica?



O desejo é grátis, mudar tem preço!
Quem esta disposto a pagar o custo?
Afirmações positivas são o primeiro passo,
não são todo o percurso pedregoso!
Depois do primeiro vem o segundo...
depois do centésimo vem o outro!







Rogo a Deusa que nos dê coragem
para viver a aventura da nova roda!
Que os antepassados nos inspirem
nessa longa caminhada que se reinicia!
Que sua força e vontade nos impulsionem
para que vençamos as batalhas!



Feliz 2018...

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As Armas

Sou defensor ardente da paz e da integração universais,
Somos todos iguais e dispares, na teia cósmica que une:
grãos de areia, poeira estelar, gota de orvalho na urze,
ricos e pobres, senhores e senhoras, todos comensais,
na mesa da Grande Senhora, que tudo cria e recria.

Mas há tempo de paz e há tempo de guerra!
Hoje os brados são Ares e são de Aquiles!
As armas, as armas irmãos-  nos gritam das almeias!
O tempo das tratativas de paz se liquefez!
Ante as artimanhas dos escravistas, de agora!

Ante a abominação e a traição do amor,
ante a estupefação da dor da mentira,
ante a paralisia da surpresa do assalto,
ante o bote, peçonhento, da vil víbora!
Os paneleiros calaram-se: será dor, será vergonha?

Não mais é tempo de meias medidas,
quando o terror bate a nossa porta,
as armas, todos as armas agora
na defesa da cidadela arrasada,
da cidadania despedaçada!

Os porcos estão no poder
e sua fome é voraz!
Não há justiça na terra da iniquidade:
onde desiguais são tratados como se iguais fossem
onde as vítimas são vilipendiadas!

As armas, as armas: a luta é o que nos resta
ou o silêncio etéreo dos cemitérios
direitos mortos, descarnados e enterrados
pelos glutões parasitas da republica,
morreram sem luta?

As armas, as armas camaradas
a paz nos foi roubada
as armas, as armas companheiros
Ou tu és como os glutões e da justiça não quer nada!
Sonhas ansioso com  sua cota parte no butim da cidadania!

Paneleiros sua fome nunca foi de justiça,
pelo menos não de justiça social,
batiam panela pelo privilégio,
contra o crescimento do direito
mil vezes um Black Block como companheiro
do que tu vil e corrupto paneleiro!