terça-feira, 6 de novembro de 2018

Encontros

Encontros

Acredito que nada é por acaso
encontros foram marcados
para o bem e o aprendizado

A flor e o beija flor
o mar e o rochedo
o céu e o relâmpago

Eu e você em algum momento
ele e ela num minuto preciso
todos encontros preciosos.

Encontros são necessários
para a continua teia do cosmos
movimento infindo anterior ao tempo

Creio que nascemos para integração
e para os afetos por ela despertados
Eu te afeto, tu me afetas, eles nos afetam.

Se o amor é o motor do tempo
abertos devem estar os braços
aberto deve estar o coração

porque tudo está interligado
o tempo e o espaço  e o ser,
bem como o breve momento de estar

Estar bem aqui, neste breve momento
construindo presente no presente
a breve e imensurável eternidade

Não preciso saber o porquê
apenas o intuo em meu coração
morada da centelha Sagrada

Porque a Mãe que em tudo está
em mim também habita
sussurrando o caminho a seguir

Os encontros fazem parte do universo
explosão e reelaboração
expansão e contração

Tudo em eterno movimento
tráfego de possibilidades criativas
no mundo por se fazer e refazer encontros  

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Medo

O que alimenta o fascismo? O ódio produzido com os medos das pessoas! Fascistas alimentam os medos com discursos irracionais de ódio! O diferente é eleito bode expiatório! Hoje você não está na alça de mira! Quem te garante que não estará amanhã?
O medo se difunde como uma enxurrada e você esquece que só o amor constrói. Que a paz, o amor é a solidariedade são o cimento da civilização! Que o ódio é o cimento da barbárie e da violência! O fascismo é um retrocesso civilizatório assim como um retrocesso espiritual. Não estou falando de igrejas, mas da religião (que nada mais é que a religação do homem com o sagrado). Não falo de igrejas específicas,  mas do amor, da empatia e da solidariedade que são valores centrais para a religação com o sagrado. Me assusta que auto-intitulados cristãos esqueçam dos valores do novo testamento que é um libelo do AMOR. Um livro que difunde o amor, a tolerância, a empatia e a solidariedade.
Jesus andava com os miseráveis, os doentes, os injustiçados e pregava um mundo de AMOR! Amor é peça central em qualquer religião e que as ações dos homens serão julgadas com o bem ou o mal que produziram.
Em termos civilizatórios impedir minorias de se manifestarem é um retrocesso aos tempos mais tenebrosos e obscurantistas da nossa passagem pela Terra. Criminalizar a pobreza ao invés de propagar políticas sociais compensatórias e que façam uma justa distribuição da riqueza socialmente produzida, não diminui a violência pelo contrário. Combater pobres como fosse todos marginais e vagabundos não resolverá a violência e nem o empobrecimento das camadas médias da população.
Todos falam em crise da economia como se fosse causada pela "politica corrupta" do PT, mas seria bom traduzir está crise numa linguagem simples e afirmar que o PT não criou a corrupção produzida pelas classes dominantes desde o Brasil colônia. Nunca vi crise para os banqueiros no Brasil. As suas taxas de lucros sucessivos durante todos estes anos foram geradas pelas exorbitantes taxas de juros praticadas no país, sem exceção nos últimos anos, basta pesquisar os lucros bancários ao longo da história. Muitos falam no excesso de tributos no país, mas ninguém fala que todos são repassados pelos empresários aos preços dos produtos e que os verdadeiros onerados são os mais pobres, quem acaba pagando o pato da FIESP e da Febraban são os pobres e não os ricos. Proporcionalmente pagam mais impostos que os ricos.
A pseudo crise da economia é na verdade a crise insolúvel e cíclica do capitalismo. E o seu produto é uma concentração de riqueza socialmente produzida nas mãos do capital financeiro.
Isso é justiça social? Não! Mas os defensores do medo difundem ideias falsas para continuar defendendo a desigualdade social e o seu quinhão nesta injusta distribuição da riqueza.
Votar no 13 hoje é votar  no progresso social, moral e espiritual de nossa sociedade. Você pode até não concordar com todas as suas ideias, mas se tem amor no coração  e se crê na solidariedade e no avanço para patamares mais elevados de sociabilidade e espiritualidade, com certeza você tem mais em comum com as propostas de Haddad: de solidariedade e distribuição mais equitativa da riqueza socialmente produzida, o fim do combate aos pobres; do que com as ideias de ódio difundidas pelos fascistas de ontem, hoje  e amanhã.
Para exemplificar: é justo um aposentado que foi trabalhador assalariado pagar a mesma alíquota de imposto que um banqueiro podre de rico? Isso se traduz com a manutenção da ordem vigente no país onde de fato quem engorda o pato da FIESP e da Febraban são os pobres, enquanto fascistas difundem o medo para a manutenção do Status Quo!
Pense e vença o medo!

Marco Antonio da Silva Cruzeiro

terça-feira, 29 de maio de 2018

Não Sei

Se acaso ou criação
eu não sei
se mágica ou explosão
eu também não sei
não consigo me lembrar
só posso ter fé e verificar
Ciência é magia
ou é mágica a ciência
o importante é não deixar,
nunca, de procurar resposta
de criar sentidos pra vida
Se digo que não sei,
não é para matar a esperança
muito menos pra diminuir
o que já aprendi até agora,
é porque ainda existem lacunas
talvez cânions, ou oceanos
para explorar e conhecer
num momento de tantas verdades
de tantas certezas absolutas
só tenho a dizer que não sei
mas vou voltar a procurar saber

Isso não significa que vou matar a história
implica apenas em afirma-la como guia
não como tabernáculo da verdade ou bíblia.
Mesmo porque a história se faz todo o dia.
Algumas vezes como tragedia outras como farsa,
mas isso é certo, nós fazemos nossa história!
São nossas escolhas em combate com nossos limites,
mas no limite ela é fruto das nossas escolhas!
Seja ela escrita a muitas mãos ou só pelos vencedores
Ela também nos pertence; é de nossa lavra. 
Somos responsáveis pelo que ajudamos e pelo que permitimos!
Omissão é também uma forma de ação conivente!
Aos éticos atordoados lembro: faça o que quiseres
pois é tudo da lei vem acompanhado de outra sentença
Três vezes o bem, três vezes o mal
o que lançamos ao universo volta a fonte
e volta com força triplicada pela viagem.

  

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Paraíso Perdido

Paraíso perdido, anjos caídos
O céu está ardendo em chamas!
Você, desesperado, pede socorro,
Mas ninguém escuta a tua súplica!

Os demônios estão todos à solta 
Você grita, você chora  e é à toa 
Nada disso vai adiantar agora!
A horda foi liberada sobre a terra!

Psicopatas estão todos no comando
cada um só tem olhos pra própria merda
Então foda-se a empatia com o outro!

Salve-se que puder, nessa terra de cego,
cada caolho que administre a sua perda,
que cuide do seu olho e do seu antolho!


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Fúria

Um dia a fúria apareceu em minha porta! Fez morada na casa de minha alma, e de lá não quis mais sair. Ainda lembro dos dias amenos de primavera, uma lembrança longínqua, em meio a borrasca que se alojou sobre mim. Nunca fui santo, confesso que tenho os meus pecados, mas não entendo e nem perdoo a sua falta de respeito pelos mais necessitados.
Desde o grande golpe na nossa democracia combalida, seus ataques a decência e aos direitos despertam a revolta e a fúria ingovernável em meu estômago! No Caldeirão, dos meus piores sentimentos, borbulha uma raiva cruenta, pronta a explodir em violência! Despertas o pior em mim! Quase esqueço meus esforços civilizatórios em busca de paz e harmonia! Quase me bandeio pro lado da lei de talião, do olho por olho dente por dente!
Mas, de repente, me lembro que desejo ser diferente, peço perdão e sigo enfrente. Contudo recomendo a prudência, o tigre que habita em mim pode ter sido domado, mas ainda é em essência um animal selvagem!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Desencanto

Não foi bem assim, mas imagine acordar um dia e perceber que o mundo perdeu todo o encanto. Imaginou? Que triste esse mundo não é mesmo? Um mundo sem nenhuma graça: inodoro, incolor, insípido, indolor, inaudível, inabitável ... enfim insuportável! Um mundo cruel e sem mascaras! Como seria acordar num mundo onde os últimos bastiões do encantamento, a fé e a esperança, tenham sido derrubados? Você pode me dizer como seria?
Bem, como eu disse, não foi bem assim que o mundo caiu das nuvens! Não foi de repente que as luzes se apagaram! Foi um lento e gradual processo de desencantamento do mundo! Onde a utopia deu lugar ao cinismo e o coração virou pedra.
Ao poucos a percepção de que as pessoas estão a cada dia que passa mais egocentradas, pensando apenas no eu e no meu! A falta de empatia com as minorias e com as pessoas mais pobres; a crescente intolerância ao diferente, a completa falta de pejo diante da desigualdade, do cinismo e da canalhice e cretinice. Tudo isso doí no peito e na alma! Bateu tão pesado quando percebi que a maioria que se silencia diante da falta de humanidade, se silencia porque está ficado cada vez mais desumana.
Aos poucos a coisificação do mundo  e das pessoas que nos cercam, essa reificação de tudo que é fugidio, livre, impermanente e mutável, torna o mundo uma coisa triste e inevitável.
Se tudo é rígido, sólido e perene a história termina e as coisas são como são e pronto. Sem chance para os sujeitos, somos todos objetos nas mãos do destino inexorável das coisas.
Que saudade do Quintana que dizia em Das Utopias: 
"Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"  
In: Mario Quintana , Espelho Mágico. Porto Alegre: Editora Globo.1951.
Que saudade do Drummond de Procurar o Que: 
"Eu tropeço no possível, e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível"
In: Carlos Drummond de Andrade, Boitempo I.
Que saudade do mundo que ansiava pela descoberta, pela inovação, que se indignava contra as injustiças do mundo, que ia para as ruas quebrar os portões do instituído pra fazer um instituinte mais belo e feroz!
Nesses tempos em que os debaixo não tem vez e nem sonho, ou melhor só sonham em ter o mesmo que os de cima, serem os de cima; me assusta não o pragmatismo, mas o cinismo e a cretinice!
Tudo bem sonhar em ter algo melhor, mas as custas do sofrimento dos demais! Isso é um demais pra minha sensibilidade roqueir@! Um mundo onde o privilegio é o direito e o direito é o privilegio, uma inversão absurda que não ofende mais ninguém! Ou será que ofende? Já não sei e até duvido!
O que eu sei é que o desencantamento do mundo e o fim das utopias feriram de morte meu senso ético e estético. É tudo muito feio e patético: Trump, Temer,  Bolsonaro, Jean-Marie Le Pen, Béla Kovács ... essa turma, hoje, me assusta!
Adoraria estar enganado, mas duvido muito que nos próximos cinquenta anos, o cenário se modifique! 
Como estou quase lá  nos cinquenta, isso significa que terei que viver mais de cem anos para ver a nova primavera florir, que longo e tenebroso inverno! 





segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Dias mais Escuros

Tem dias que são mais escuros
Onde a dor bate mais forte
Tem dias sem muita sorte
Onde tudo dá errado!

Você pede perdão e trégua,
Mas a tempestade não para!
Só resta resistir ao castigo
Tudo o que sobra é procurar abrigo

Todos apontam os dedos,
Mas ninguém estende às mãos
Todos enxergam teus defeitos
Ninguém vê a tua solidão.

A multidão segue como gado
Aquele que não segue é estranhado,
Estrangeiro em seu próprio tempo,
Em seu lugar um forasteiro!

Criminoso por ser diferente
Estranho no mar das gentes
Ninguém estranha o familiar
Mesmo que seja noite em céu solar

Quem é o cego? Aquele que vê?
Quem o crente? O que não crê?
Tão estranho esse habitual
Parece um antigo e triste ritual
Onde os fracos são ceifados
E os fortes são isolados!
Onde a regra é o antolho
Pra sempre continuar o fluxo

Tenho cicatrizes de atropelamento
Tenho uma amargura que não cura
A  boca azeda nestes dias mais escuros
Os ossos doem onde foi quebrado

Mesmo que ninguém mais veja
Ainda ando contra a corrente
E mesmo que ninguém me ouça
Grito sinais de alerta e lanço sementes
... sementes de rebelião ao vento
Na esperança de que brotem no deserto
Dessas mentes vazias e cobiçosas,
No vazio preenchido por egocentrismo

Ninguém vê a saída
E seguem como manada
Vara de porcos possuídos
Rumando ao precipício

Quem em sã consciência
Rumaria sorrindo a perdição!
Nesses dias perco a paciência
E me jogo contra a multidão!
Tiro, porrada e bomba!
Socos e pernadas em profusão!
tudo inútil, tentativa desesperada,
de chamar a atenção
Ninguém me ouve
ninguém me vê